Sou só o cara deitado na calçada tomando chuva, pra sempre...
Eu gosto é do gasto
Do teu sapato sujo
Do teu beijo cansado
Do cheiro oblíquo e escuso
Das rosas nunca presenteadas
Até dos espinhos que dão o tom da graça
Gosto das tuas costas arqueadas
Quase encravadas ao chão, engastadas à terra
Douradas e obtusas
Às vezes reverberantes, às vezes caladas
Ressoante, clamas pela minha risada sempre escassa
Escondes em tua estrada, as lágrimas
Gosto do teu gosto oco
Da tua falta de decoro
De teu desgosto pela minha ausência de tato
E quando encontro as tuas marcas
Linhas profundas escritas na face
Formas de mostrar sua idade
Parecem declarações claras, atestados de enfado
Ânsia de fugir sem alardes
Despertam vontades de ficar em teu regaço
Reter-me em teus passos
Saudade de ver-te em casa
Eu gosto é do estrago.


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