Sou só o cara deitado na calçada tomando chuva, pra sempre...

.:: Talvez ::.

Um dia ela acorda e nota que pela primeira vez em sua vida, ela realmente se incomodou com o barulho anormal que vem da casa ao lado. Levantou-se e desceu, sua mãe lhe pediu que fosse à quitanda, e ela, pela primeira vez, não reclamou.
Foi ouvindo suas músicas no mesmo walkman velho, que ganhou do irmão mais velho, que tinha ganhado do primo. Mas não ouvia nada. Andava pela rua e pela primeira vez não mandava nos seus passos. Eles já eram automáticos mesmo.
Voltou e encontrou seu pai, e disse à ele (pela primeira vez) que não queria mesmo almoçar na casa da tia chata e ele (pela primeira vez!!!) entendeu. Tudo absolutamente em seu devido lugar mas tudo, drasticamente, fora dele.
Alguém jogara dados durante toda noite em seus sonhos, bagunçando-os de forma cansativa e 'exaustante'. Não sorria pois, já não havia mais pelo quê sorrir. Nem mesmo os passarinhos voando sobre a árvore amarela da praça atrás da sua casa, tinham alguma graçaque fosse. Aquele alguém havia jurado algo pra ela, mas não se realizaria. E ela sabia. E seu mundo que acordara sem cor, também.
Tentou fazer tudo voltar ao seu devido lugar puxando briga com seu irmão que brigaria com a sua mãe, e a casa viraria um inferno,aí sim ela teria pelo quê chorar. Mas não deu certo, também. Naquele dia, ela soube. Teria que partir. Partir em busca do sorriso, procurando algum desespero para que pudesse, talvez, remar em direção do sossego.

Talvez ela só quisesse mesmo remar em direção de alguma coisa.


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